Domingo, 8 de Agosto de 2004

A minha namorada - jantar de despedida?

Depois de muita reflexão e de muitos pensamentos que me povoaram os cinco minutos em que consigo pensar na mesma coisa, concluí que não queria mais namorar com a minha nova namorada. Não por que não goste dela, porque gosto, mas há determinadas coisas que um homem tem direito a exigir da pessoa que gosta. Que passe tempo com ele, que não traga sempre os amigos atrás, e que lhe ofereça umas pantufas em forma de urso. Ora nenhuma destas condições a minha nova namorada preencheu.


Eu sei que ela é uma pessoa muito ocupada, que se preocupa com os amigos e com as pessoas carenciadas e que gosta de fazer tricot enquanto anda de bicicleta… mas e eu? Onde fico nesta história? Serei eu apenas alguém que ela precisa para uns momentos de prazer? (antes fosse, mas nem essa sorte tenho).


A parte mais complicada é arranjar uma maneira de lhe dizer que tudo entre nós está terminado. Nunca tive essa experiência pois normalmente são sempre elas que me mandam procurar os confins do mundo e tentar lá permanecer. Mas sendo a minha primeira vez estava bastante entusiasmado com a coisa. Telefonei-lhe e pedi-lhe para vir ter comigo ao restaurante. Escolhi um caro pois estas situações não acontecem todos os dias e são sempre momentos especiais que nos devemos esmerar ao máximo.


- Olá querida ainda bem que vieste…mas acho que tinha deixado bem claro que esta era uma noite para nós e que não trouxesses os teus amigos. Principalmente aquele gordo da camisola aos quadrados que tem a mania de me roubar a salada para pôr nas orelhas.


- Deixa-os estar, eles ficam noutra mesa e não incomodam.


- Ficas a saber se eles abrirem a boca mando-lhes com trufas.


- Mas que acontecimento especial é este? Viemos a este restaurante, estás todo bonito, que se passa?


- Nada de especial… mas diz-me… o que pensas da nossa relação?


- Acho que é uma relação baseada no respeito mútuo, em muito amor e amizade e que apesar das nossas diferenças tenho a certeza que é contigo que me quero casar, ter filhos e jogar Playstation.


Enquanto tentava digerir estas tão doces palavras veio o gordo da camisola aos quadrados que aproveitando o meu momento de distracção roubou-me a salada que tanto trabalho me tinha dado a temperar.


- Estás ver? Nunca temos tempo só para nós, para estarmos os dois juntos.


- Mas nós agora estamos sós…


- Sim, mas os teus amigos estão na outra mesa a trocar segredinhos, a soltar risotas e a olhar para mim.


- Deve ser por teres um camarão no nariz.


- A verdade é que não gosto deles, quer dizer… até gosto, mas começo a ter pesadelos frequentes com eles… ontem sonhei que dois deles me tinham vendido em leasing.


- Mas tens de compreender… são meus amigos, e enquanto os namorados vão e vêm os amigos ficam para sempre.


- Pois já reparei, mas esses ficam literalmente para sempre, parecem doenças venéreas…


- Mas são meus amigos e gosto deles, se os conheceres melhor vais ver que vais gostar tanto deles como eu. O que seria da minha vida sem os meus amigos. São aquelas pessoas com quem sempre podemos contar.


- Pois, eu só daqui conto oito, fora aqueles dois que mergulharam no tanque das lagostas.


- No fundo estás a querer dizer que não estás satisfeito com a nossa relação, é isso?


- Qual relação? Trabalhas o dia todo, à noite e fins-de-semana andas com esses marmelos de um lado para o outro a fazer caridade, nunca tens um tempinho só para nós os dois e sinto-me carente, triste e desamparado.


- Tinha a ideia que gostavas de andar connosco, tu mesmo disseste que estavas a adorar fazer pessoas felizes e mesmo quando aquele toxicodependente te vomitou em cima tu sorriste para mim.


- Pois… acho que não percebeste a ironia do sorriso…


- Vamos ultrapassar isso, eu prometo que vamos passar mais tempo juntos e tenta ignorar os meus amigos.


- Como é que eu os posso ignorar quando me estão a roubar o ensopado de enguias e a deitá-las ao rio…


- Tu sabes como eles são defensores dos animais, estão apenas a mandá-las para o seu habitat natural.


- Estás a ver… estás sempre a defende-los!


- Desculpa… e então como ficamos? Ainda somos namorados?


 Suspirei fundo e todo o meu corpinho tremeu perante aqueles olhinhos de cachorro abandonado. No fundo, sou mesmo um ser sensível e gosto mesmo dela. Que se pode fazer quando o amor nos transforma em alforrecas…


- Claro que sim… deixa-me beijar-te.


- Claro que sim meu amor… tens 1 minuto.

publicado por gifted_children às 01:42
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