Domingo, 17 de Abril de 2005

A minha namorada - esperança

Acordei este dia com uma vontade imensa de pescar, não sei se foi por ter essa imensa sensação de liberdade de me ver no meio do oceano com uma cana de pesca na mão, se foi por ter passado os últimos dias na lota a tentar salvar os peixes que chegavam ainda com os rabos a abanar e eu fazia-lhes reanimação e respiração artificial (devia ter pensado melhor antes de ter feito isto a um espadarte, engoli-o e agora não consigo mexer a perna esquerda).


Comecei a reparar que não era muito bem-vindo no meio das peixeiras, já que organizei uma comissão de greve entre os peixes pois eles não queriam ser vendidos a não ser que pudessem escolher o modo como seriam cozinhados.


Enquanto lá estive pelo menos diverti-me um pouco, organizámos várias peças de teatro e concursos nos quais os carapaus saíam sempre vencedores pois eram extremamente hábeis no manejo das cartas e faziam excelentes números de magia que deixava os caranguejos e os lagostins de boca aberta, apenas acompanhados pelas solhas que conseguiam fazer equilibrismo com grande graciosidade.


Quando passeava pela rua nem quis acreditar naquilo que os meus olhos viam. Sentados num banco de jardim estavam a minha ex-namorada e o meu amigo Quim que entretidos desfolhavam o Diário Económico e davam risadinhas a cada vez que ele enunciava as cotações na bolsa, não percebi a graça, mas eles sempre foram mais inteligentes do que eu.


Ela estava surpreendentemente diferente, estava linda e tão magrinha que os olhos davam a sensação de estar no lugar das orelhas. Estava realmente um sonho de mulher. Até o Quim tinha um novo cabelo que lhe dava um ar mais jovial apesar de ser feito com caruma dos pinheiros.


Hesitei antes de lhes ir falar, mas não me contive e como quem não quer a coisa esgueirei-me por detrás que lhes provoquei um susto tão grande que o cabelo do Quim se transformou em folhas de eucalipto.


Olhei para ela e de facto senti mais uma vez que devia ligar menos às aparência e ligar mais ao conteúdo, agora ela estava linda e já não me importava com o conteúdo, apenas a queria de volta. Acho que já ficava bem no meu carro (se eu o tivesse), já podia orgulhoso passear com ela nos Centros Comerciais. Será que seria tarde demais para a reconquistar? Será que ela estaria mesmo apaixonada por ele? Ainda gostaria ela de mim? Será que se continuar morrer gente importante a este ritmo não seria altura da TV Cabo lançar um canal temático com funerais 24 horas por dia?


(continua)

publicado por gifted_children às 00:08
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Sábado, 9 de Abril de 2005

A minha namorada - espíritos

Desde que me tinha remetido para o Brasil, tinha passado estes últimos meses com muito alegria, muita cor e energias positivas. Falava com muitos brasileiros, ía para a praia, fui assaltado 3 vezes, sentia todo aquele caos urbanístico. Estava mesmo bem no Rio de Janeiro até que alguém me disse que estava na Costa da Caparica o que me deixou muito desgostoso.


Estava eu demasiado entretido a ouvir o meu novo rádio a pilhas quando de súbito parei na Rádio Miramar e ouvi algo me chamou a atenção. Quanto mais ouvia mais sabia que aquilo sim, era a resolução para todos os meus problemas. Um senhor brasileiro ouvia os problemas das pessoas e como estava tudo possuído por espíritos, ele amarrava-os e as pessoas ficavam logo boas, houve mesmo uma que estava com os pés gelados e ele amarrou os espíritos e logo lhe apareceu um felpudo cobertor a lhe aquecer. Ainda mais difícil foi uma senhora que tinha comichão na cabeça e ele amarrou o espírito e a senhora ficou logo com outra cabeça novinha em folha, outro senhor tinha a unha do dedo mindinho encravada e depois de amarrar o espírito o senhor apareceu com umas novas e umas belas patas de flamingo, o qual ele agradeceu imenso pois assim já podia chegar aos armários mais altos, o que nunca podia ter feito antes e agora pedia insistentemente que lhe arranjassem umas asas para poder viajar de borla.


Não hesitei mais e liguei para a Rádio, o qual fui atendido muito simpaticamente.


- Bom djia.


- Boa noite.


- É bom djia.


- Mas ainda é meia-noite e meia.


- Não importa, é mais um glorioso djia que começa, né?


- Pois, como quiser…


- Então me diga, qual é o seu probrema.


- Vim falar com o senhor e…


- Se veio falar com o Senhor, então está no lugar certo.


- Quer dizer… vim falar consigo.


- Falá cumigo é o memo que falar com o Senhor, mas eu sou apenas um Pastor, um mero servo de Deus que está aqui pará ajudá no que quisé.


- Muito obrigado, era mesmo isso que eu precisava, alguém que me pudesse escutar e ajudar.


- Então o seu probrema é espiritual, financeiro ou de saúdje.


- É de tudo um pouco, na verdade…


- Espere que já estou amarrrrrrrando o espírito que está possuindo você.


- Calma… eu ainda não contei o meu problema.


- Não faiz mal não, a cura é igual para tudo, é só amarrar o espírito e já está tudo resovido.


- Espere que eu não sei se quero que me amarre os espíritos, isso não é perigoso? Eles não ficam tristes por estarem assim todos amarradinhos.


- Não, eu amarro os espíritos e eles passam o tempo jogando cartas e preenchendo bilhetes pró euromilhões, não precisa preocupá essa sua cabecinha não.


- Sendo assim acho que pode amarrar os meus espíritos.


- Então aqui vai… estou amarrrrrrrando os seus espíritos, mas não está sendo fácil não.


- heheheehe, desculpe Pastor, mas há aqui um pelo qual tenho um especial carinho pois costuma escovar-me os dentes e comprar os cotonetes.


- Vai te de liberar esses espíritos malignos. Vai, deixa ele vir prá mim.


- Para si é fácil falar que está aí desse lado, se visse a carinha triste que ele está a fazer…


- Pô rapaz… larga logo o espírito que tem mais gente esperando.


- Está bem, mas depois quero-o de volta e aproveite e engome-lhe a camisa.


- Já estou amarrando tudo, já agora tem aquela água que nós demos na nossa igreja.


- Não, mas não precisa de se preocupar, não tenho muita sede.


- Isso é água benta que vai purificar a sua casa e o seu expírito.


- Não, mas tenho aqui uma aguinha das pedras, é que por vezes tenho uma digestão difícil.


- Tem digéstão difícil, porque é que não disse logo, vou amarrar esse espírito tamém.


- Poça, isso é que é eficácia.


- Pois é cara, tem de ser, tem muita gente com probremas e a gente tem de rápido senão eles vão pra outro lado, né, como procurar ajuda em psiquiatra e nós não que isso não, nós resovemos tudinho. Agora não esqueça de vir na nossa igreja para receber a bênção e deixar a sua contribuiçãozinha que isto de milagre é meio difícil.


- Pode deixar que eu vou. Já agora servem comida?


- Claro, tem sempre um croquetinho, um brigadeiro, e uma caipirinha conforme se você for cliente, desculpe, paciente classic ou gold.


- Então vou estar aí.


- Agora diga Amem, Graças a Deus.


- Amem, Graças a Deus

publicado por gifted_children às 14:11
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