Quarta-feira, 30 de Junho de 2004

A minha namorada- telefonei-lhe2

(continuação)


Depois de desligar é que me bateu na consciência que a minha querida ex-namorada devia estar desesperadíssima por falar comigo e o meu celular (desculpa o termo mas ando a ver muito a TV Record) estava ocupado. Como sempre, faço aquele chamado toque parvo. Dá-se um toque e espera-se que quem o receba seja suficientemente idiota para nos ligar de volta e não pensar que somos realmente uns forretas ou uns tesos de primeira.


Mais uns momentos de espera em que para matar o tempo roubo a roupa do estendal da minha vizinha e meto-a no frigorífico para não secar… sim é um bocado tolo.


Toca o telefone…


- Então??!


- Desculpa, mas entretanto telefonaram-me com uma questão de negócios e tive que dar umas directrizes… sabes como é… não fazem nada sem mim.


- Meu querido, o único negócio que alguma vez terás será com um esquilo.


Realmente há alturas em que não entendo nada do que diz, mas é um ser extremamente profundo que não ouso questionar a sua sapiência.


- Pois.


- Mas afinal o que é que tu queres?


- Bom… sabes… tive aquela comichão na sola dos pés e isso sempre foi um sinal que querias falar comigo.


- Não, a isso chama-se micoses. Tens ido à Costa da Caparica?


- Sim, mas fiz o pino o tempo todo.


- E tens tido cuidado com o sol por causa das tuas alergias?


- Sim, apesar de haver lá quem quisesse jogar à bola com a minha cabeça.


- Sabes como são as crianças…


- Não eram crianças, eram duas velhotas e mesmo assim perseguiram-me a grande velocidade até à Fonte da Telha, ainda tenho os braços dormentes e as orelhas vermelhas de tanto pontapé.


- Mas continuo sem saber o que a tua pessoa quer de mim. Já te disse que nesta altura ando com o Quim e ele agora é o meu namorado. Olha levou-me a ver as marchas a Lisboa… ofereceu-me um manjerico, coisa que nunca fizeste.


- Grande coisa… quer dizer que para ti os passeios na Trafaria não tiveram qualquer significado. E os pacotes de bolachas Maria que te ofereci? Isso agora já não te diz nada?


- Tens de perceber que acabou. Foi bom enquanto durou…


- As bolachas?!


- Não, o nosso namoro.


- Ah.


Ops, chamada em espera… hum, deve ser aquela do banco, meu deus…decisões, a minha cabeça não está preparada para lidar com tanta informação. Continuo a tentar bater-me pelo meu amor ou vou resolver os meus assuntos … financeiros. Dúvidas, dúvidas, dúvidas.


- Por acaso não podes ligar-me dentro de meia horita para acabarmos a nossa conversita, é que meti a piza no micro-ondas e agora tenho a cozinha a pegar fogo.


- Tu não tens micro-ondas.


- Então é mais grave ainda, a piza entrou em combustão espontânea. Até já.


(continua)

publicado por gifted_children às 13:58
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Domingo, 27 de Junho de 2004

A minha namorada - telefonei-lhe

Era inevitável, tive realmente de telefonar, foi mais forte que eu, finalmente lembrei-me do número do telemóvel, eu no fundo sabia o número só não me lembrava qual era a rede, e assim lá lhe liguei. Confesso que estava um pouco nervoso e suava que nem uma salsicha fresca no grelhador.


- Olá... sou eu.


- Ah, és tu… tudo bem contigo minha ameba gigante?


- Mais ou menos… e contigo? Espera, antes de continuares e sei que queres falar muito comigo não te importas de me telefonar... é que estou a ficar sem saldo.


- És sempre a mesma coisa, desliga lá que eu já te telefono... irra.


 Estes momentos de angustia enquanto espero que ela me telefone de volta deixando-me em dúvida. Será que o vai fazer? Por momentos espero que não pois o meu coração já salta mais rápido que o preço da gasolina. Mas faço um exercício de meditação para me acalmar que consiste em rodopiar a cabeça até ficar tonto e cair desamparado no chão. Lá me recomponho.


 Mas o telefone toca… atendo, sem dar tempo canto com uma afinação impecável, lembrando a mim próprio que não fico nada a dever a qualquer desses convidados dos programas da manhã da televisão. “ I just call to say i love youuuuuuu, I just call...”


- Que linda voz... por acaso não sabes aquela do Paulo Gonzo “Jardins de Pedra” é que tenho um fetechezinho por cemitérios e pela Ilha da Páscoa...


- Quem fala?


- Desculpe, já estava tão envolvida que me esqueci... é do banco para lhe dizer que a sua conta está a negativo e é preciso por algum dinheirinho, percebe? Mas que linda voz que tem, não quer cantar mais um pouco, é que trabalhar nas cobranças é tão aborrecido...


- E tem alguma preferência?


- Pode ser qualquer uma do José Malhoa...


- E a frase qual é?


- “Se és chato e gostas destas andanças o teu futuro é o departamento de cobranças”


- Está certo. Já agora a única que eu sei tem a pequena Ana Malhoa na voz feminina. Tu cantas a parte dela e eu a dele.


E assim fizemos um dueto com um esplendor de fazer inveja a muita gente, toda a gente riu e dançou e o departamento de cobranças tornou-se num local muito mais feliz e todos ficaram mais gordos e bem dispostos, acompanhando-nos em coro a uma só voz.


- Canta mais uma, vá lá...


- Desculpa mas não posso, estou à espera de um telefonema importantíssimo e já demorei muito tempo, apesar de ter sido divertido... não foi?


- E não é que foi mesmo... agora só a questão do dinheirinho.


- Bom... se me telefonares daqui a meia hora eu canto-te mais uma cançãozita, falamos do dinheiro e quem sabe... combinamos qualquer coisa.


- Pode ser... tocas-me a Appassionata de Mozart?


- Mas isso é só piano.


- Fazes só com o som das teclas... deixa-me completamente extasiada e com vontade de soltar o cabelo e fazer loucuras...


- Aaaaaaa, bem... se te deixa nesse estado deixa que te diga que consigo tocar uma sinfonia completa só com o polegar.


(continua)

publicado por gifted_children às 02:23
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Segunda-feira, 21 de Junho de 2004

A minha namorada - saudades

Não sei se a ideia de juntar os meus amigos foi mesmo uma coisa boa de se fazer. As constantes tentativas de encontrarem parceira choca com a minha nova faceta de deixar de ligar a coisas terrenas e passar mais para uma fase espiritual, apesar de haver uns decotes com marcas de biquini que me fazem repensar a minha estratégia mais etérea e pensar mais nos prazeres terrenos.


Nesta altura da minha vida estou mais interessado em tudo aquilo que realmente tem importância, como a legalização do aborto, a guerra no Iraque e o porquê do nunca mais voltar a moda do papel de parede. Já que tinha forrado toda a sala com rolos de papel de cozinha com um padrão muito giro, mas todos insistem em limpar as mãos na parede ou levar pedaços para a casa de banho… desespero por tanta falta de sentido estético dos meus amigos.


Afinal sou um ser sensível e continuo a amargar calado com tudo o que tenho sofrido nos últimos meses, por baixo desta capa de indiferença esconde-se alguém que apenas precisa que o escutem e por vezes lhe dêem um Cornetto de morango, mas sinto que os meus amigos nesta altura das suas miseráveis e mesquinhas vidinhas não estão mais que interessados em pensarem neles próprios e quanto muito me darem um Mini-Milk.


Apesar de ao principio ser divertido estar com os amigos e fazer coisas que só homens juntos podem fazer (normalmente figuras de parvo), mas é um facto que já não me satisfaz estar sempre a falar de futebol e gajas, além disso acho que o vermelho e verde juntos não ficam bem, então tenho tentado tirar as bandeiras das varandas e substitui-las por copos de iogurte magro de frutas o que me tem valido uns valentes pontapés, mas não desisto enquanto não vir todas as casas enfeitadas com pelo menos um copo de iogurte de banana.


Estar na discoteca com os amigos tem-se revelado um autêntico pesadelo, aquela música entra nos meus ouvidos e sinto os tímpanos saltarem e fugirem para a casa de banho a cada batida de música, e já apanhei um a tentar puxar o autoclismo e fugir. Tenho o corpo dormente e continuo com repetidos ataques de ansiedade que me provocam falta de ar, o que faz ser demasiadas vezes apanhado na casa de banho com a boca no secador de mãos.


O único motivo de conversa acaba por fazer apostas sobre que tipo de cuecas as raparigas trazem vestidas, já que a multiplicidade dessa peça de vestuário interior povoa a imaginação de todos, e carinhosamente já existem vários nomes específicos para dar a cada tipo de cuecas: lençol, parapente, asa-delta etc. o que pessoalmente acho degradante este tipo de comentário para a condição feminina, mas lá que é divertido isso ninguém o pode negar, e tenho ganho bom dinheiro pois tenho um olhinho clínico para estas coisas, e consigo mesmo saber através das calças de ganga o que trazem vestido por dentro e que apesar de não conseguir provar, os meus amigos acreditam... ingénuos.


Tudo corre mal, a minha querida namorada anda com outro, as minhas ex são o que se sabe e todos os meus amigos são uns idiotas. Já tentei de tudo mas tudo permanece verdadeiramente imutável. Penso na minha namorada e que bem que me sabia estar nesta altura ao colo dela, ela a fazer de cavalinho enquanto trincava uns crepes... que saudades.


A minha próxima e importante resolução vai ser tentar reconquistar a minha namorada e comer gelatina pelo nariz.


Por favor não te esqueças de mim.


Beijocas fofinhas.

publicado por gifted_children às 22:00
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Domingo, 13 de Junho de 2004

A minha namorada - amizade

Como realmente mais importante que as namoradas são os amigos pois esses sempre saem bem mais baratos, já que normalmente pagam a própria refeição e por vezes até as contas do bar. Há já algum tempo que tenho vontade de voltar a rever os meus velhos amigos, com esta coisa do namorar afastamo-nos daquilo que realmente é importante como uma boa amizade ou uma garrafa de água com gás e limão.


Posso contar pelos dedos de uma só mão a quantidade de bons amigos que tenho, seguindo esta lógica tenho 5.


Não há nada como a camaradagem masculina para nos voltar a fazer sentir bem, beber imperiais nas esplanadas, comer caracóis com rebentos de soja (quem não o experimentou não o faça, é horrível), ver os jogos da bola, falar das pernas gordas da Britney Spears... no fundo tudo assuntos de grande importância.


 O meu primeiro amigo é de facto aquele que se aproxima mais das expectativas de qualquer mãe que quer ter um genro todo jeitoso. Tem o melhor carro e os melhores telemóveis e todos os gadjets que um homem pode ter. Utiliza a sempre célebre camisa aos quadrados de preferência da sacoor ou da tommy com uns belos quadrados azuis, a calça bege e os sapatinhos rockport sem meias, tem sempre um aspecto bronzeado e é sempre aquele que tem mais sorte com as mulheres ou pelo menos dá essa ideia, apesar de não se lhe conhecerem namoradas inteligentes é o modelo que todos nós gostávamos de seguir, agora sem ninguém perceber porquê quer que o tratem por Pipo, apesar de se chamar Demóstenes.


O meu segundo amigo é aquele chamado espírito livre, não liga minimamente ao que veste, tem aquele ar negligé e nunca toma banho nem lava os dentes com a desculpa de que o natural é que é bom e que esses produtos desafiam a própria essência da humanidade. Utiliza sempre a mesma roupa só variando a forma como a usa, ou veste do avesso ou as calças em cima e a camisa em baixo. Escusado será dizer que a sorte com as mulheres é nula pois não há mulher que aguente andar com alguém a quem a cabeça sai pela breguilha.


O terceiro é de facto o mais inteligente de todos, tem todos os cursos e fala com sapiência dos mais vastos e variados assuntos, tem o azar de por vezes quando dá por ele está a falar sozinho, ou então consegue por todos em coma profundo, obviamente que não tem sorte com as mulheres pois depois de passar meia hora a falar da imensidão do Cosmos toda a gente tenta entrar dentro das garrafas e afogar-se nas bolhas da cerveja. É penoso por vezes quando ele começa a dissertar sobre a poesia de Charles Beaudelaire e a declamar em francês é vê-las a todas a pedir o número de telefone do táxi, o que já lhe granjeou grandes amizades entre os taxistas o que lhe permite andar gratuitamente de táxi sempre que queira.


O quarto tenho por ele grande simpatia, é aquele que todos gostávamos de ser mas que felizmente não somos. É sensível, ouve com genuína atenção conversa de mulheres e acho que as compreende de verdade, ou então disfarça melhor que o resto de nós. Conhece todas as técnicas de ginástica passiva, de todos os produtos de beleza e redutores de celulite e tem sempre um conselho para acessórios, sabe perfeitamente quando começam os saldos em todas as lojas e sabe tudo sobre comida light. Tem sempre o péssimo hábito de começar qualquer conversa com “compreendo-te perfeitamente, eu próprio já passei por isso... mas não sou gay”. Tem a sina de ter montes de mulheres amigas mas diga-se de passagem que não consegue andar com nenhuma.


O quinto é de facto a pessoa mais parva que eu conheço apesar de ser uma jóia de rapaz. Apesar de toda a gente lhe tentar explicar que camisola de cavas a mostrar os músculos e o carro todo transformado dá um ar saloio e tacanho e a única coisa que atrai é risinhos de gozo, não há nada que o faça demover da ideia de encher o Citröen Saxo, cheio de sub-woofer’s, DVD’s, e até uma televisão de 82cm. Mais uma vez este não tem muita sorte, não porque não haja mulheres que gostem do estilo mas porque não cabe ninguém lá dentro e muitas não estão dispostas a ir no tejadilho enquanto ele anda a 220 km/h.


Vamos nesta altura esquecer as mulheres que só nos dão tristezas e partilhar com os amigos as verdadeiras agruras da vida pois quem melhor para compreender os nossos problemas que os nossos amigos. A amizade é mesmo bonita…

publicado por gifted_children às 23:31
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Segunda-feira, 7 de Junho de 2004

A minha namorada - a visita

Estava eu entretido a tentar descobrir as diferenças entre aquela senhora que não tinha e depois lhe deram 3000 euros que mal ouvi a campainha da porta a tocar. Claro que fiquei extremamente aborrecido por me terem interrompido num momento em que quase estava a descobrir a primeira, e só a muito custo me levantei do chão e fui abrir a porta. Para minha surpresa era o Quim, desafortunadamente e sem perceber porquê estava vestido de esquimó.


Sendo eu uma pessoa de esmerada educação convidei a figura a entrar apesar de me apetecer morder-lhe a orelha esquerda.


- Olá amigo, fico tão feliz por te ver.


Notei-lhe uma certa tristeza no olhar e tenho a certeza que tinha estado a chorar por isso fui complacente e simpático para com ele.


- Eu também fico feliz quando te vejo… queres umas sardinhas de lata com tomate e picante? Acabei de abrir agora. São muito nutritivas.


- Não obrigado, já tomei o pequeno-almoço.


- Porque raio estás vestido de esquimó?


- Quem eu?! Ah, Esta noite vim de um baile de máscaras e ofereciam um aperitivo grátis a quem trouxesse a fatiota mais idiota… acho que me afeiçoei ao peixe morto.


- Pois, já me tinha cheirado a qualquer coisa, mas pensava que era eu, mas o que é que te traz por aqui?


- Sabes… sinto que és a única pessoa com quem posso conversar, pois temos uma coisa em comum.


- Também gostas de tomar banho em caldo de carne?


- Não. Ambos gostamos da mesma pessoa.


- Quer dizer que estás apaixonado por mim? Desculpa estava a brincar a ver se te levanto o moral… pareces-me bastante em baixo.


- E estou mesmo, eu sei que ela já te contou o que se passou entre nós, mas eu acho que ela ainda gosta de ti. E não consigo viver assim, ter uma pessoa que está comigo e a pensar noutra.


- Não te preocupes que isso passa, a mim acontece-me a toda a hora, estou com uma e já estou a pensar na próxima, chama-se a isto processo antecipatório de natureza masculina.


- Mas ela é mulher.


- E não é que é mesmo…e que mulher, mas porque achas que ela ainda pensa em mim?


- Talvez por a ver chorar com a tua fotografia, talvez por na cama chamar o teu nome, talvez por me ter feito o teu penteado.


- Mas tu és careca.


- Então já podes imaginar a dificuldade que tive.


- Pois


- Tu sabes que eu sempre gostei dela e sempre achei que tu foste uma merda de namorado e que nunca a trataste como ela merecia, no fundo foste um burro, estúpido, arrogante, ignorante, grosseiro, vaidoso, rude, egoísta…


- Ei, vieste para me pedir ajuda ou fazer a definição da minha pessoa?!


- Desculpa, já estava tão bem lançado…


- Está bem, mas que posso fazer para te ajudar?


- Não sei… a própria ideia de pedir ajuda pressupõe que não sei o que fazer. Acho que no fundo queria apenas uma prova em como ela gosta verdadeiramente de mim e que não anda comigo para te esquecer.


- Acredita-me, eu conheço-te, ninguém andaria contigo para esquecer o que quer que fosse, a não ser para perder amor-próprio e personalidade.


- Achas mesmo?


- Tenho a certeza… confia em mim. Sabes amigo…eu tenho este efeito sobre as mulheres, elas têm sempre dificuldade em me esquecer pois faço sempre qualquer coisa de inesquecível.


- E o que fizeste para que a marcasses assim tanto?


- Não sei, mas vou pensar e prometo-te que quando souber serás o primeiro a saber.


- De facto és um amigão, obrigado, foste uma grande ajuda, tinha medo que não me quisesses ver, que estivesses magoado comigo, mas já estou mais animado, vou já correr para ela e dar-lhe todo o meu amor e o peixe, que apesar de já estar mais seco que uma pevide ela vai adorar. Obrigado.


- Sim, faz isso, vai pela sombra que com esse fato ainda desmaias com o calor.


- Adeus… não achas que faço figura de parvo com este fato, pois não?


- De todo, estás lindo…


É preciso ter lata, rouba-me a namorada e ainda quer conselhos… bom, vou ver mas é o que é que a senhora dos 3000 euros comprou.

publicado por gifted_children às 20:57
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Quinta-feira, 3 de Junho de 2004

A minha namorada - a resposta

Que alegria, passaram tão poucos dias e já tenho resposta, sinceramente não esperava tão cedo, mas vi logo que era tua pois tinha uma nódoa de perna de frango frito. Saltitei de contentamento e abri o mais depressa que pude.


Querido ex-namorado:


Antes de mais qualquer coisa fico contente por saber que te encontras bem de saúde e que assim Deus te guarde por muitos e bons anos.


(Bem o começo apesar da banalidade e da frieza do cumprimento não me pareceu mau de todo)


Junto envio tal como me pediste uma nota de 100 euros que espero de suprimam as tuas necessidades mais prementes.


(Neste momento vieram-me as lágrimas aos olhos, era de facto uma querida e uma mulher com um grande sentido de humanidade)


Na questão do selo mando-te aquele que me enviaste na tua carta pois parece-me que ainda está em bom estado.


(!!?)


Depois se queres mesmo saber a verdade, não sinto qualquer rancor ou ódio por ti, simplesmente não sinto nada. Conseguiste que todo o meu ser se esvaziasse de sentimentos e neste momento só sinto um vazio na alma e no estômago… ainda não almocei.


(A construção frásica pareceu-me perfeita, de facto acho que anda a ler livros de receitas franceses)


Para que saibas estou muito feliz por namorar com o Quim, é uma excelente pessoa, trata-me muito bem e não é filógeno e preconceituoso como tu, gosta de mim da maneira que sou.


(Eu sabia que aquele abutre do Quim não descansaria enquanto não conseguisse petiscar qualquer coisa, esta notícia deixou-me sem conseguir respirar durante 2 minutos e comecei a ganhar uma cor arroxeada. Que raio de coisa é um filógeno?!)


E para que saibas tive a minha primeira experiência realmente sexual com ele, tenho de te dizer que perdi demasiado tempo contigo, aquela coisa do sexo é maravilhosa e já o devia ter feito há mais tempo se não fosses tão parvo. Ele foi meigo, gentil e de uma afectuosidade que tenho a certeza que nunca serias capaz. Foi tão bom que o fizemos durante dias seguidos e o facto de ele estar em recuperação nas Termas de Monchique diz bem de como a coisa foi. Junto envio uma foto do meu sorriso.


(Como é possível ouvir isto de alguém a quem nós nos dedicamos de uma maneira que poucas pessoas o fariam, eu que fiz tudo por ela e só não fiz mais por imperativos de consciência, pois queria manter o nosso amor impoluto e vem logo outro a seguir e é o que se vê. Eu a guardar-me para ela e é essa a paga que um homem leva por querer se guardar para um momento especial. Dominado pela angústia não consigo comer as anchovas da pizza)


Se quiseres pudemos continuar a ser amigos.


(Sim…pois)


Tenho pena que as coisas para ti não estejam a correr da forma esperada mas sabes que sempre podes contar comigo e que estarei sempre disponível para te ajudar no que for preciso, só não me peças dinheiro, já estás mais do que na altura de começares a trabalhar e deixares de ser sustentado pela tua mãe, vê se cresces.


Beijos P.S.


A minha amiga deu-lhe para a ecologia e anda a tentar salvar as minhocas da Ria Formosa


Cada palavra é uma flecha em cheio no meu pobre coração atormentado, consumido pelo ódio e o desespero tento aspira-me mas como nada corre bem fiquei entalado no tubo… alguém me pode dar uma mãozinha… socorro, tenho medo do escuro.

publicado por gifted_children às 23:28
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