Domingo, 30 de Maio de 2004

A minha namorada - a carta

(continuação)


Fui com uma tristeza imensa que me despedi dela. Não que tenha algo contra quem tem determinadas profissões e não sou de todo preconceituoso, mas a proposta que ela me fez de ter de lhe pagar para termos relações mesmo sendo namorados não me agradou de todo, pois não me apetece fazê-lo apenas uma vez por ano.


Senti um impulso e escrevi à minha querida ex-namorada que tantas e tantas alegrias me fez passar e sentir ao longo de todo o tempo que namorámos.


Querida ex-namorada:


Estas últimas semanas têm sido demasiado penosas para mim e para veres como estou a ser sincero em anexo mando-te um extracto da minha conta bancária e fotocópias das contas da água e da luz.


Pensei que tudo seria mais fácil para mim, mas estou extremamente arrependido por te ter deixado daquela maneira. Nada para mim correu bem desde que não estamos juntos e tenho ficado sempre em casa na esperança que apareças, sinto a falta do chão a tremer quando vinhas para aqui e tenho dificuldades cada vez maiores em adormecer sem comer toucinho.


Estou naquela fase em que sinto que só posso dar valor aquilo que tenho quando perco, isso já me tinha acontecido quando fui apanhado no Metro sem bilhete.


 Por favor, manda-me novidade tuas ou pelo pelos um cheque com uma quantia aceitável… desespero.


Para veres como nada me corre bem vou contar-te um pequeno episódio que me aconteceu e que ilustra bem tudo aquilo por que tenho passado. Como sabes fiz o seguro do carro na OK Teleseguro, pois sempre tive um fraquinho pela Marta e tive o azar de ter um furo em cima da ponte 25 de Abril às 7.30 da manhã, como eles agora têm um senhor para trocar os pneus, e já que estou a pagar queria aproveitar a benesse. Telefonei para a Marta que me atendeu pessoalmente e disse-lhe “Marta, tenho um furo e não sei o que fazer”, ao que ela simpaticamente disse “Não saia daí que vamos já mandar alguém”. Acho que a maioria das pessoas não achou muita graça a este serviço tão útil, apesar de tentar sempre explicar a situação, há sempre uns mal intencionados que além de me baterem com o macaco enquanto corria para Alcântara, mandaram o meu carro para o rio, o que me deixou sem o meu carrinho onde passamos tão bons momentos. Ainda tentei mergulhar para o ir buscar mas caí na chaminé de um cacilheiro.


Não sei o que andas a fazer, não tenho notícias tuas e gostava de saber se estás disposta a me perdoar e a namorar comigo novamente. Tenho a certeza que ainda sentes alguma coisa por mim sem ser ódio, desprezo ou rancor. Tenho a certeza que ainda podemos ser felizes os dois, ou em separado conforme for de dia ou de noite. Pensa e depois se me escreveres e quiseres resposta coloca um selo dentro do envelope.


Muitos Beijos e continuo a amar-te.


P.S. Ah, e já agora no caso de não quereres mesmo namorar comigo, dá-me o telemóvel daquela tua amiga, para o caso de ter de chorar.

publicado por gifted_children às 17:32
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Quarta-feira, 26 de Maio de 2004

A minha namorada - desilusão?

(continuação)


- Estou a ver tudo…


- Não é propriamente difícil, o hotel é enorme.


- Não é isso, já estou realmente a ver.


- Hum, ainda bem que já estás a ver a coisa toda… espero que tenhas muito dinheiro, um quarto aqui é caríssimo.


- Não é isso, já vejo, com os olhos… como é que querias que visse?


- Bom… tenho uma prima que dizem que vê pelos sovacos, não sei se é verdade, mas que tem umas belas sobrancelhas isso ninguém o pode negar.


- Acho que não consigo levar isto para a frente…


- E para cima? Estou a brincar… que queres dizer com isso?


- É que sabes… esta última meia hora fez-me pensar e repensar todos os meus objectivos, acho que já não quero sexo… quer dizer, quero, mas não assim… quer dizer, pode ser assim, mas não desta maneira… não que a maneira esteja mal ou tenha alguma coisa de errado, é mais pelo conteúdo que pela forma… apesar da forma não me parecer má de todo… não que seja mau ter só sexo, claro que podemos ter sexo apenas pelo sexo… mas acho que preciso de mais alguma coisa do que apenas umas horas valentes de puro prazer com alguém tão linda como tu que de certeza já deve saber todos os truques e como fazer um homem sorrir com 32 dentes… espera, acho que já estou a assimilar a ideia de só ter sexo pelo sexo.


- E em que ficamos, é que se não formos já vamos perder os amendoins e as pipocas que sobram no bar.


- É que no fundo… acho que te amo, essa é a verdade, bateu-me como um martelo pneumático bate no asfalto, não há como negar… amo-te.


- Não me vias há dez anos, estamos juntos há apenas uma hora…


- Eu sei, mas os sentimentos em mim florescem mais rápido do que a construção de rotundas. Sabes que sempre fui muito sensível e ver o teu rosto outra vez, sentir de novo o cheiro do teu perfume…


- Qual perfume? Só se for o ambientador do carro que entornaste em cima de mim.


- Isso não interessa, a questão é que te amo e quero passar os restos dos meus dias contigo. Quero namorar contigo, quero fazer-te feliz e prometo amar-te para sempre, envelhecer a teu lado, ver os nossos netinhos a brincarem no alpendre enquanto te seguro na mão, passear à beira mar com o cão, trocar a dentadura, não era bom?


- E o sexo?


- Isso vem com o tempo, não tenho pressa de dar esse passo.


- Pois… tu podes não ter, mas como já tinha falado com o Toni…


- Quem é o Toni?


- É o rapaz daqui do hotel que costuma arranjar os quartos por um preço mais em conta.


- … quer dizer que vens aqui muitas vezes?


- Claro, basicamente a minha vida, é casa hotel, hotel casa.


- Aaaa, não me estás a dizer por acaso que fazes disto vida… assim a modos… para ganhar dinheiro!!!?


- Claro que sim e já me estás a dever 150 euros por estar aqui na conversa, mais 100 de te ter transportado para aqui, com o quarto e essas coisas todas, mas tendo em consideração que te conheço faço-te um desconto de 50 % por isso deves-me nesta altura 1000 euros, aceito em dinheiro ou cheques visados, se não houver sexo podes pagar só 500 pela companhia.


(continua)

publicado por gifted_children às 00:29
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Sexta-feira, 21 de Maio de 2004

A minha namorada - a verdade!?

(continuação)


Saímos para o carro onde, para ela ver que eu continuava sem ver nada, parvamente tentei entrar dentro do depósito de gasolina.


Claro que com o tempo a passar já conseguia ver tudo nitidamente e apenas o gigantesco cartaz do Manuel Monteiro me fez cegar de novo, mas acho que foi a chamada cegueira histérica, pois logo a seguir o novo anúncio da Lux fez os meus olhinhos brilharem de felicidade.


Houve alguns momentos que sentia que ela já estava desconfiada de que eu já via bem, não sei se foi por berrar a cada cruzamento, se foi por tentar acariciar-lhe as pernas dizendo inocentemente “É só para ver se ainda estás aí”.


Era tão linda… a maneira como punha os óculos escuros a segurar o cabelo, como gentilmente humedecia os lábios, o jeito com que sorria e punha a 1ª mudança depois a 2ª e seguindo este raciocínio consegui contar até à 5ª, fez mexer algo em mim que realmente não julgava possível. Estaria apaixonado de novo? Não podia ser, afinal eu ainda sentia algo de muito forte pela minha ex que continuava sempre presente na minha mente mas que agora parecia esfumar-se, o que acontecer podia ter sido a causa para o desaparecimento dos dinossáurios. Seria apenas a excitação da conquista? Naaa, não sou desses.


Apetecia-me saltar e cantar músicas da Adelaide Ferreira, era um sinal claro que estava apaixonado, já não me sentia assim desde que me telefonaram a dizer que tinha ganho uma picadora e um agrafador se soubesse como se chamavam os barcos que atravessam o Tejo. Como hesitei durante duas horas não me queriam dar o prémio, mas depois de muita discussão lá me deram os agrafos quando os ameacei processar judicialmente.


Agora estava perdido nos meus pensamento e só a muito custo me consegui achar, já não me apetecia ter sexo, queria mais. Queria aquilo que sempre tinha sonhado, andar de mãos dadas com esta linda criatura e sussurrar ao ouvido piadinhas que ela ria e batia-me no ombro chamando-me nomes fofos.


Senti-me como um cigarro que é aspirado até ao fim, e depois é esborrachado incessantemente até se apagar contorcendo-se no cinzeiro para se manter aceso, não sei o que isso tem a ver com a situação mas é como me sinto. Senti-me extremamente triste e para provar que não me podiam usar assim saltei do carro, o que não foi lá grande ideia pois o carro estava parado e ia sendo levado pela camioneta da câmara que recolhe os monos, e além disso não consegui provar o meu ponto de vista.


Ai o amor, se eu soubesse que o iria sentir nunca a teria procurado mas agora já era tarde demais, estava perdidamente apaixonado e quando ela olhava para mim e sorria, o meu corpo levitava, o que fez com que tivesse de fechar o tecto de abrir pois várias vezes dei por mim agarrado aos postes da luz.


Como agora iria dizer que afinal queria muito mais do que apenas um casual encontro? Se ela não me quisesse? Que fazer se não houver vida depois da morte? Pior, o que fazer se realmente houver vida depois da morte? Poderei comer lá sopa de pacote? Consumido pelo desespero destes últimos pensamentos fechei-me no porta-luvas.


Parou o carro à porta do hotel e foi naquele momento que não aguentei mais e havia chegada a altura de lhe dizer a verdade…


(continua)

publicado por gifted_children às 21:37
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Domingo, 16 de Maio de 2004

A minha Namorada - a sorte continua?!

(continuação)


Guiou-me até ao café onde nos sentámos para conversar, mergulhei a cabeça no copo de água para ver se me passava o ardor nos olhos, mas só consegui pôr o nariz o que me fez espirrar continuadamente durante dez minutos.


- Então, diz-me, meu querido, quer dizer que tiveste saudades minhas, nunca imaginei… é que passaram tantos anos.


- É para veres como são as coisas, acho que realmente nunca te esqueci e que nunca saíste do pensamento durante estes anos todos. Mesmo quando estava contente, sentia que algo me faltava, muitas vezes era dinheiro, outras devias ser tu.


- É que senti que quando me vendeste em Marrocos que não gostavas assim tanto de mim, estou a ver que me enganei. És tão querido. Claro que me custou um bocadinho a atravessar para Espanha com mais vinte pessoas num caiaque… mas hoje não deixo de olhar para trás e achar graça.


- Pois… ainda bem que te divertiste.


- Claro que tive de trabalhar seis meses a apanhar morangos para arranjar dinheiro para voltar para casa, mas tirei uma grande lição de vida.


- Foi, e que lição foi essa?


- Devia ter ido para a apanha da maçã, não sabia que os morangos cresciam tão em baixo... dores nas costas são do pior.


- É um facto, estamos sempre a aprender…


Já estava a começar a vislumbrar qualquer coisa. Já conseguia ver aquela expressão doce, aquele sorriso complacente (ainda que tudo a preto e branco). Era de facto linda, a idade tinha-lhe dado um encanto e uma serenidade que me deixaram todo arrepiado, principalmente quando ela pegou na minha mão (ainda que fosse para colocá-la na bica, já que estava a beber o cinzeiro), mas tinha umas mãos de veludo e a cada toque eriçavam-se-me os pêlos dos pés.


- É tão bom ver-te de novo…


- Para mim também seria, mas a verdade é que não consigo ver lá grande coisa.


- E diz-me, não tiveste ninguém mais especial durante todo este tempo?


A minha sorte é ter a capacidade inata que tem qualquer homem de acreditar naquilo que diz e tomar isso como verdade absoluta.


- Não…não… depois de ti nunca mais houve ninguém que me fizesse sentir aquilo que sentia por ti, nem de perto nem de longe. Foste demasiado especial para mim. Para mim eras o ar que respirava, o Sol que me alumiava, a laranja da vodka… depois de ti o tempo parou, o céu deixou de ter estrelas, apareceram restaurantes chineses em todo o lado… enfim, nada mais foi igual.


- Queres fazer sexo?


- Desculpa??!?!?


- Continuas sem ver nada?


- Basicamente… quer dizer… aquela rapariga ao balcão é gira?


- É a máquina do tabaco.


- Então continuo sem ver nada.


- É que… sabes… como dizem que como quem não vê os outros sentidos aumentam… percebes? Mas tem de ser já, senão voltas a ver normalmente e deixa de ter graça.


- Aaaaaa… está bem… estou nessa, não vejo nadinha de nada, dá-me um murro para ver se me desvio. (Porra, era retórica agora tenho o nariz a sangrar.)


- Vamos no teu carro ou no meu?.. AhAh, era uma piada, sou mesmo divertida.


 (continua)

publicado por gifted_children às 22:33
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Terça-feira, 11 de Maio de 2004

A minha namorada- dia de sorte?

Foi uma visão vê-la chegar (e foi mesmo, dois dias depois de estar dentro do caixote começo a ter visões e sonhos recorrentes com peixes balão). Mas desta vez era mesmo ela. Chegou deixando o carro no meio da estrada não ligando minimamente aos outros que queriam passar… era típico dela. Aquele ar pedante ficava-lhe mesmo bem e a sobranceria com que olhava os outros era demasiado sexy para mim, comum mortal.


Estava linda como sempre, e o meu pobre coração deu pulos de alegria por tamanha felicidade. Não há amor como o primeiro (apesar de me apaixonar com a frequência dos intervalos dos telejornais).


Tremi como um pincher, depois de tanto tempo a ensaiar um novo discurso, as pernas não obedeciam, até reparar que estava preso dentro de uma caixa de Skip o que me atrapalhou os movimentos. Antes que entrasse em casa saltei-lhe para a frente e gritei:


- Surpresa!!!!!!


Não aprendo mesmo, tenho mesmo de repensar as minhas abordagens, com todo aquele susto lançou-me um spray nos olhos que fiquei tanto tempo sem ver nada que consegui aprender o abecedário todo em Braille.


- Porrrrrrrrra!!!!


- Ah, és tu meu querido???!!!, desculpa, nunca imaginei que fosses tu, pensei que fosses um desses malucos que ficam escondidos dentro dos contentores e saem para assustar as pessoas.


- Achas??!. Sou eu, quis fazer-te uma surpresa, mas pelos vistos a coisa não resultou muito bem. (Parva)


- Oh, desculpa, queres que dê beijinhos nos olhinhos?


Hum, de repente fez-se luz (não nos meus olhos que continuavam sem ver nada), mas aquela dos beijinhos pareceu-me boa ideia.


- Não, deixa estar… já estou melhor.


- Olha que não parece, estás a falar com o caixote do lixo e a tua cabeça está a ficar vermelha e a crescer desmesuradamente.


- Não, estava apenas a admirar como são engraçados estes caixotes do lixo azuis…


- …Verdes.


- Isso… quem os desenhou teve muito bom gosto.


- Mas o que fazes aqui? É tão bom ver-te de novo.


- Sabes… é que há já muito tempo que queria ver-te, mas faltou-me sempre a coragem… é que sempre foste tão especial para mim, e demorei apenas dez anos a me aperceber disso.


- Estou aqui! Estás a falar com a passadeira de peões e começas a assustar as pessoas.


- E como ia dizendo, acho que tinha isto guardado dentro de mim durante tanto tempo que não aguentei mais e tive de vir ver-te, pois os meus sentimentos por ti crescem todos os dias e já não sabia o que fazer… por vezes sinto-me como se comesse pudim todos os dias. Tive mesmo de te ver para ter a certeza daquilo que sinto por ti. Acho que já gostava de ti antes mesmo de te conhecer ou antes mesmo de saber que ameixas quentes provocam dores de barriga.


Claro que me senti um pouco mal por todo este exagero, mas situações drásticas exigem medidas drásticas.


- Oh meu querido, deixa o cão em paz e vem para ao pé de mim... vem, anda…


 (continua)

publicado por gifted_children às 00:18
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Quinta-feira, 6 de Maio de 2004

A minha namorada - outra tentativa

Levantei-me como todos os dias o faço, (pondo os pés no chão e mantendo-me o mais direito possível). Faço um esforço enorme para descobrir a porta da casa de banho e arrasto-me pesadamente para dentro da banheira. A porcaria do chuveiro está avariado (nada me corre bem) e tenho que tomar banho no bidé que finjo ser uma banheira de hidromassagem.


É um facto que a minha primeira tentativa de encontrar antigas namoradas não correu pelo melhor, mas como não sou de desistir facilmente depressa me recomponho e penso que tudo correrá melhor da próxima vez. Acho que o que falhou foi o critério da escolha, não cometerei o mesmo erro duas vezes, apesar de ter alturas em que o faço dezenas de vezes, como ver todos os especiais da TVI.


Tenho que escolher alguém para quem eu realmente tenha sido importante, nem que fosse apenas nos dois primeiros meses e veio-me à cabeça uma rapariga por quem me apaixonei perdidamente e que tivemos uns bons tempos de amor intenso antes de ela descobrir que eu não era o Mel Gibson quando me descaí e deixei de ter a minha excelente pronuncia australiana que tanto trabalho me tinha dado a arranjar a ver repetidamente o Crocodile Dundee.


Terminámos porque ela achava que eu não devia vestir as calças e as camisas com os botões para trás o que se tornava um pouco incómodo pois raramente íamos para o mesmo lado, o que era deveras irritante. Mas acho que foram tempos muito bons e tenho a certeza que ela não se importaria de me ver de novo agora que excluo terminantemente tudo o que tenha botões.


Sinto um ardor no estômago quando penso num possível reencontro, ou então foi das tortilhas e enchiladas que comi ao almoço.


Era uma pessoa tão querida que agora que me lembro bem sinto falta daqueles lindos olhinhos verdes, que olhavam para mim docemente como um bebé a pedir colinho (o que aconteceu várias vezes e foi a partir daí que me começaram os meus problemas nas costas).


Desta vez não vou cometer erros, não quero passar por situações embaraçosas, por isso vou esperar escondido dentro do contentor do papelão à porta de casa dela para a ver chegar. Claro que se ela não morar mais naquele sítio posso passar pela experiência de ser reciclado e voltar como papel de embrulho de supermercado. Mas quero pelo menos ver se ela continua gira e se não lhe cresceu barba nem tem tiques estranhos como andar com um saco de plástico enfiado na cabeça a cantar para um peru imaginário.


Obviamente que vou ter de pensar muito bem no meu discurso, em tudo o que lhe vou dizer, principalmente as desculpas que vou lhe vou dar por a ter trocado por uma garrafa de água em Marrocos. É que estava realmente com muita sede.


No fundo passo por isto tudo por ti minha gorda fofa que continuas sem dar notícias e desespero por saber o que andas a fazer, mas ando muito carente e a necessitar de afecto, por isso tenho a certeza de que quando me acabarem todas as hipóteses de ter outras pessoas e não me restar outra alternativa sem seres tu, a nossa relação vai sair fortalecida. Lembrei-me de ti e fiquei triste (já passa… já passou). Ainda te amo. Beijos.

</blockquote>
publicado por gifted_children às 22:29
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Sábado, 1 de Maio de 2004

A minha namorada - tentativas

Como sempre os dias cada vez custam mais a passar, e se não fosse o Sol que de vez em quando aparecer e a Fashion TV a minha vida era um autêntico marasmo. Já tentei de tudo, mas nada parece resultar. Os meus encontros não têm corrido bem, os empregos é o que se sabe, e fico por vezes a pensar “será que nasci para ficar sozinho?.” “Será que não há neste mundo alguém que além de ti que quisesse ficar comigo?” “ Porque é que as senhoras do anúncios dos detergentes deixam sempre a casa chegar a um ponto que se vê uma diferença tão grande depois da casa estar limpa?.” “E já agora queria mas é saber como é que cabem 10 milhões de L. Casei Imunitass dentro de um frasco tão pequeno, alguém devia obrigá-los a contar um por um. Para mim caberão uns 10 no máximo.” São pensamentos recorrentes que me têm atormentado nestes dias.


Solução final: procurar ex-namoradas antigas. Há sempre coisas para dizer, recordar o passado, rir que nem um louco com situações que já não me lembro mas que finjo que sim, apesar que a maioria delas não ter vontade nenhuma de as ver, mas a vida também não está para grandes esquisitices, e como todo o homem que viveu antes da era dos telemóveis tem um caderninho com os telefones guardados na caixinha das recordações, e como tenho visto em várias situações em que de facto este método de telefonar às ex resulta, porque não eu ter a mesma sorte.


Claro que o mais difícil é começar. Que critérios utilizar?. Aquelas que foram mais importantes não são um bom princípio, conhecem-nos demasiado bem e recusariam na hora com desculpas parvas como terem um unha do pé encravada e só poderem deslocar-se ao pé-coxinho parecendo flamingos. Aquelas que correram comigo também não, se já na altura não me aguentavam, o que seria diferente agora?. (Um facto é que a idade só me tem feito bem). Talvez o melhor fosse procurar aquelas que nunca chegaram a ser importantes, mas que no mínimo sabia a marca de roupa interior preferida.


Lá vasculhei as minhas coisinhas e dei com o caderno já comido pelas traças. Tentei visualizar o rosto de cada uma delas mas só conseguia ver a tua cara o que me assustou um bocadinho. Não tinha nada a perder por isso lá escolhi uma. Claro que as duvidas eram muitas. Estaria casada? Teria filhos? Seria maníaco-depressiva? Teria um auricular no telemóvel? Ganhei coragem e marquei o número.


-Sim


De imediato reconheci-lhe a voz, já que tinha pretensões a cantora de ópera e falava com as pessoas em canto gregoriano, o que era um bocadinho apetetado, mas na altura até achava graça, apesar de ter sido várias vezes intimada a comparecer em tribunal por perturbação da paz pública.


- Olá… sou eu, lembras-te?


- Não, quem fala?


- Não te lembras, namoramos no 10º ano.


- Não estou a ver, foram tantos…


- Bom, foi aquele que te levou um dia ao zoo e te lançou no poço dos leões, lembras-te como rimos na altura?


- Ah, lembro-me, mas o único a rir foste tu seu idiota, eu só queria fugir dali.


- Pois… então podemos rir agora que já passou tanto tempo. Foi uma aventura e tanto.


- Continuo a não achar graça nenhuma.


- Eu juraria que enquanto corrias em frente aos bichos rias desalmadamente.


- Não ria, chorava convulsivamente de medo.


- Olha que me enganaste muito bem, parecias tão divertida, pois começaste a cantar para os leõezinhos que ele foram para a toca e há quem diga que eles de lá nunca mais saíram. Tinhas um jeito especial para a bicharada.


- E que queres tu agora? Desde esse dia nunca mais te vi.


Acho muito feio as pessoas guardarem rancor por coisinhas de nada, principalmente depois de ter passado tanto tempo. Eu como não sou nada assim fico sempre triste quando as pessoas não têm o mínimo de sentido de humor.


- Queria saber como estás, se queres ir sair, ir ao cinema, andar de carrinhos de choque… essas coisas assim, divertirmo-nos um pouco… podes?


- Poder até posso, mas tenho medo…


- Eu sei, às vezes depois de tanto tempo os sentimentos desabrocham, eu compreendo, já não nos vemos há tanto tempo que tens medo de voltar a sentir a chama da paixão. Deixa que eu não deixo que isso aconteça.


- Não, eu tenho medo é de sair contigo e me aconteça alguma coisa.


- Isso quer dizer o quê?


- Quer dizer… adeuzinho.

publicado por gifted_children às 20:42
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