Quinta-feira, 8 de Abril de 2004

A minha namorada - 1ª saída 3

Gatinhámos até chegarmos ao apartamento dela, que apesar de ficar a 10 minutos a pé, demoramos cerca de 6 horas porque nos enganámos no caminho, fomos em sentido contrário, e quando demos por nós estávamos na ponte Vasco da Gama. Foi um pouco embaraçoso ter de passar a ponte às cavalitas dela, mas começou a explicar qualquer coisa sobre a revolução chinesa e não tive paciência e deixei-me ir, o que me deu tempo para tirar uma soneca.


Apesar da casa parecer um motel de 3ª categoria pois estava todo pintado de vermelho, e era uma constatação óbvia que era um bocadinho deprimente, mas já que já lá estava não havia volta a dar. O pensamento que sempre me animou foi sempre a ideia de que as raparigas de esquerda eram menos convencionais e muito mais liberais, o que era indício de que alguma coisa de boa podia acontecer.


- Tens um apartamento todo giro… todo… vermelho… as cortinas pretas dão um toque acolhedor… foste tu que o decoraste sozinha ou tiveste ajuda? (Bolas que via vermelho por todo o lado, o que me começou a provocar náuseas e fiquei com a estranha sensação de estar a andar dentro das veias de alguém).


- Sim, fui eu que fiz tudo, não está engraçado?


- Hum… sim… pelo menos tudo combina na perfeição.


- Queres beber alguma coisa?


- Pode ser, estou com um bocadinho de sede…


- Só tenho sumo de tomate.


Era de prever!. Veio com uma caneca em forma da barba do Fidel Castro e brindamos a todos os que são oprimidos, explorados, ao proletariado e ao Mateus Rosé (esta foi ideia minha, mas pronto, não era muito vermelho e apesar de considerar tudo o que é vinho engarrafado burguês lá brindou contrariada).


Depois mais uma vez entusiasmou-se e começou a falar de começarmos uma revolução, ao que tive de retorquir que não era muito bom a começar coisas e raramente acabo algo. Começou com grandes planos de fazer uma manifestação à porta da Assembleia da República (o que seria apenas fazer uma figura ridícula, pois não se pode considerar manifestação a duas pessoas aos berros de um lado para o outro), greve da fome (o que era pouco viável já que raramente consigo estar mais de duas horas sem comer, senão fico realmente esfomeado), ou mesmo medidas mais radicais como dançar um pas de deux ao ritmo de música em mímica.


A coisa realmente não estava a correr como esperado e já começa a sentir uma necessidade de me por a milhas e pôr mais que de vez em quando fiz alusões a questões de aspecto mais sexual, expondo-lhe os princípios da partilha, de nos despojar-mos de tudo (obviamente falava da roupa interior) a conversa acabava sempre no pensamento trotskyano de uma sociedade sem classes onde todos seríamos iguais (obviamente que haveria sempre uns que saberiam sapatear melhor que outros).


Inventei a melhor desculpa que pude para me pôr a andar dali para fora, não sem antes ela me oferecer o Manifesto Comunista de Markx e Engels, e uma edição completa de livros de bolso do José Saramago.


Preciso arranjar uma vida.


</blockquote>
publicado por gifted_children às 00:21
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