Sexta-feira, 21 de Maio de 2004

A minha namorada - a verdade!?

(continuação)


Saímos para o carro onde, para ela ver que eu continuava sem ver nada, parvamente tentei entrar dentro do depósito de gasolina.


Claro que com o tempo a passar já conseguia ver tudo nitidamente e apenas o gigantesco cartaz do Manuel Monteiro me fez cegar de novo, mas acho que foi a chamada cegueira histérica, pois logo a seguir o novo anúncio da Lux fez os meus olhinhos brilharem de felicidade.


Houve alguns momentos que sentia que ela já estava desconfiada de que eu já via bem, não sei se foi por berrar a cada cruzamento, se foi por tentar acariciar-lhe as pernas dizendo inocentemente “É só para ver se ainda estás aí”.


Era tão linda… a maneira como punha os óculos escuros a segurar o cabelo, como gentilmente humedecia os lábios, o jeito com que sorria e punha a 1ª mudança depois a 2ª e seguindo este raciocínio consegui contar até à 5ª, fez mexer algo em mim que realmente não julgava possível. Estaria apaixonado de novo? Não podia ser, afinal eu ainda sentia algo de muito forte pela minha ex que continuava sempre presente na minha mente mas que agora parecia esfumar-se, o que acontecer podia ter sido a causa para o desaparecimento dos dinossáurios. Seria apenas a excitação da conquista? Naaa, não sou desses.


Apetecia-me saltar e cantar músicas da Adelaide Ferreira, era um sinal claro que estava apaixonado, já não me sentia assim desde que me telefonaram a dizer que tinha ganho uma picadora e um agrafador se soubesse como se chamavam os barcos que atravessam o Tejo. Como hesitei durante duas horas não me queriam dar o prémio, mas depois de muita discussão lá me deram os agrafos quando os ameacei processar judicialmente.


Agora estava perdido nos meus pensamento e só a muito custo me consegui achar, já não me apetecia ter sexo, queria mais. Queria aquilo que sempre tinha sonhado, andar de mãos dadas com esta linda criatura e sussurrar ao ouvido piadinhas que ela ria e batia-me no ombro chamando-me nomes fofos.


Senti-me como um cigarro que é aspirado até ao fim, e depois é esborrachado incessantemente até se apagar contorcendo-se no cinzeiro para se manter aceso, não sei o que isso tem a ver com a situação mas é como me sinto. Senti-me extremamente triste e para provar que não me podiam usar assim saltei do carro, o que não foi lá grande ideia pois o carro estava parado e ia sendo levado pela camioneta da câmara que recolhe os monos, e além disso não consegui provar o meu ponto de vista.


Ai o amor, se eu soubesse que o iria sentir nunca a teria procurado mas agora já era tarde demais, estava perdidamente apaixonado e quando ela olhava para mim e sorria, o meu corpo levitava, o que fez com que tivesse de fechar o tecto de abrir pois várias vezes dei por mim agarrado aos postes da luz.


Como agora iria dizer que afinal queria muito mais do que apenas um casual encontro? Se ela não me quisesse? Que fazer se não houver vida depois da morte? Pior, o que fazer se realmente houver vida depois da morte? Poderei comer lá sopa de pacote? Consumido pelo desespero destes últimos pensamentos fechei-me no porta-luvas.


Parou o carro à porta do hotel e foi naquele momento que não aguentei mais e havia chegada a altura de lhe dizer a verdade…


(continua)

publicado por gifted_children às 21:37
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