Sexta-feira, 9 de Julho de 2004

A minha namorada - telefonei-lhe4

(continuação)


Foi com imensa alegria que fui tomar uma banhoca, como não tinha gel utilizei o Calgonit Power Ball que tirou todas as manchas deste corpinho e deixando-o mais brilhante que nunca. Fui depressa vestir a minha roupa das sextas-feiras à noite e fui-me.


Como não costumo ter muito dinheiro tenho uma técnica infalível para andar de autocarro que consiste em me pôr à frente e esperar ser atropelado, algumas vezes resulta e os motoristas deixam-me entrar quando os ameaço processar, outras vezes vou colado no pára-brisas. Não recomendo esta técnica no Metro, pois realmente podemo-nos magoar a sério.


Não sei porquê mas há uma sensação que me persegue há algum tempo é que devia ter ficado com uma coisa mais concreta, como o número do telemóvel, ou dizer-lhe para saltar à corda só com um pé. Cheguei em frente àquela coisa e ganhou ainda mais força a ideia que tinha que talvez tivesse sido boa ideia combinar um sítio certo, aquilo que combinamos era tão vago como os lugares no parque de estacionamento.


Com tudo isto sinto que cresci, antigamente o meu primeiro pensamento seria pensar se de alguma maneira ela era muito gira, inteligente, com sentido de humor e não demorasse mais de 30 segundos em cada loja. Desta vez nada disto me passou pela cabeça, estou apenas interessado em ter alguém com quem possa conversar (que ideia assustadora), apesar de agora estar bastante apreensivo no caso de ela ter mais 1,85m e pêlos nas costas.


Este pensamento ocorreu-me enquanto desenfreadamente a procurava correndo que nem um louco de porta em porta até que por fim a vi. Aquela t-shirt branca e as calças de ganga não enganavam apesar dos óculos não me parecerem muito escuros, devia ser um truque para ver se estava atento, há mulheres que gostam que estejamos sempre atentos aos detalhes.


Tenho de confessar que à primeira vista foi melhor do que eu podia imaginar, se eu tivesse imaginado.


Fui-me aproximando e os olhinhos dela iam sorrindo a cada passo. Penteei o cabelo com a minha nova escova eléctrica e falei-lhe.


- És tu?


- Sim


- És mesmo tu?


- Sim… sou mesmo eu.


- De verdade?


- Quando saí de manhã de casa era eu, mas agora que me questionas dessa maneira já não tenho tanta certeza.


- De repente fiquei com uma vontade de te beijar e comer batatas fritas… posso?


- O quê?


- Beijar-te.


- Onde?


- Na boca.


- Claro que podes… e quanto tempo me vais beijar?


- Hum… 5 minutos!!


- É muito… 30 segundos a partir de agora.




- Foi o melhor beijo da minha vida.


- Foi bom mesmo. Agora vamos que ainda tenho algumas coisas para fazer.


- A sério, tens de fazer o quê?


- Bem, eu costumo fazer trabalho de voluntariado com pessoas mais carenciadas. Se quiseres e não te importares podes vir comigo.


- Claro que vou, acho que nasci mesmo para ajudar os outros, tenho uma costela de Madre Teresa, claro que não literalmente, pois isso seria estranhíssimo. E onde vamos!?


- É na zona J de Chelas.


- Credo! Não quero ser assaltado.


- Não sejas preconceituoso.


- Não é preconceito, sou cobarde por natureza. Normalmente na apanha da azeitona quando elas começam a cair sou sempre o primeiro a fugir.


- Vivemos todos juntos numa comunidade e os que têm o privilégio de terem uma boa vida não podem esquecer todos aqueles que sofrem e passam necessidades.


- Mas…


- Além disso é libertador saber que ajudamos tantas pessoas a terem um bocadinho de calor, amizade e bem-estar. Faz-nos sentir bem connosco próprios e o mundo.


- Mas estamos tão longe do Natal…


- Não queres ver a cara alegre e receber um abraço de alguém que ajudaste? Não é recompensador?


- Bem… a cara alegre ainda vá lá, mas um abraço parece-me deveras exagerado.


- Quanto dinheiro tens?


- Tenho esta notinha amarrotada de 10 euros para comermos.


- E não te irias sentir melhor se em vez de tu comeres usássemos esse dinheiro para dar a quem realmente precisa, que com isso podemos dar uma refeição condigna a uma família.


- Não… é que de facto estou com muita fome, e já consigo sentir o saborzinho de uma sandes de atum com cebola.


- Anda… vais ver que te vais sentir melhor depois de veres toda aquela gente feliz.


- Duvido (bolas, bolas, bolas, bolas)

publicado por gifted_children às 22:34
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4 comentários:
De Anónimo a 11 de Agosto de 2004 às 00:24
Bem... isto e mlhor k uma novela!!lolRita
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(mailto:baby_girl_12@sapo.pt)


De Anónimo a 13 de Julho de 2004 às 10:22
Só este blog para me por a rir à terça de manhã... já sabes k adoro o teu humor e maneira de escrever! Jokinhas. Mafaldaphera
(http://phera.blogs.sapo.pt)
(mailto:maf_phera@hotmail.com)


De Anónimo a 13 de Julho de 2004 às 00:54
A Zona J de Chelas é linda! (para quem a conhece) Aprecio um espírito sensível... Anseio desenvolvimentos!demim
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(mailto:d@sapo.pt)


De Anónimo a 12 de Julho de 2004 às 01:05
Hum... tem de ter um defeito sempre!?!?! Mas pode ser que esse de para ultrapassar!rafapaim
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(mailto:filosofiabarata@sapo.pt)


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