Sexta-feira, 12 de Março de 2004

A minha namorada - a recuperação

A chuva e o mau tempo não param e começo realmente a ficar cada vez mais deprimido. Sinto a falta da alegria contagiante que tinha quando estava internado e agora tudo me parece sem graça. A alegria e a sã convivência fizeram-me lembrar os tempos de faculdade onde todos se pareciam divertir menos eu. Isso era o menos importante, eu queria era ver pessoas, muitas pessoas. Todos juntos de mãos dadas a correr alegremente de sala em sala que nunca encontrávamos, umas por sermos todos demasiado parvos, outras pelo efeito do absinto.


Agora tenho a infelicidade de ainda não poder conduzir, e tu minha querida namorada, és demasiado burguesa. Resolveste que era mais fino conduzir pela esquerda como os ingleses, o que não era mau se de facto todas as outras pessoas tivessem a inteligência necessária para ficarem em casa em vez de estupidamente andarem no lado correcto da estrada. O mais humilhante é ainda ver-te esticar o dedo do meio a todos os que te buzinam e praguejares sem parar com toda a gente. Não me posso esquecer que fizeste com que todas as pessoas que andavam na 2ª circular à hora de ponta fizessem marcha-atrás até à A1 para podermos ir ao Vasco da Gama.


Tenho até de te dizer, para não ficares a saber por outras pessoas que a tua amiga veio-me visitar ontem às duas da manhã, de facto achei as horas um pouco impróprias para uma visita, mas como me trouxe compota de gengibre achei mais normal, já que odeio tudo o que pareça saído das entranhas de alguém mal disposto, foi um sinal óbvio de que não me queria agradar, mas apenas cumprir o pesado fardo que é ter de visitar uma pessoa doente. Claro que acordar sarampantado àquela hora teve consequências nefastas na minha débil saúde e comecei a sentir os músculos das pernas presos e câimbras nas sobrancelhas. Claro que veio com uma teoria das chacras etc, etc. Quando me falou que a 2ª chacra se situava acima dos órgãos genitais, quatro dedos abaixo do umbigo e que órgão do conhecimento / sentidos era a língua e o órgão de acção eram as mãos senti um despertar cósmico que nunca imaginei, juro que senti a energia divina a fluir pelo corpo. Aquela rapariga faz milagres, devia fazer aquilo para ganhar a vida.


E querida, sei que este fim-de-semana querias ir ver aquele filme sobre a vida de Jesus Cristo (sim, aquele que tem um senhor que sofreu bastante, mas pelo menos tinha uma mulher jeitosa, apesar de nunca ter visto nenhum filme em que ele realmente andasse enrolado com a Maria, o que me dá a impressão que se calhar a senhora não era grande coisa), mas a verdade é que esta coisa das chacras fez-me um bem extraordinário e acho que preciso de pelo menos dois tratamentos diários. Por isso vai tu sozinha que eu deixo o dinheiro na caixa do correio. Está bem amorzinho?. Beijocas e amo-te mais do que nunca.

publicado por gifted_children às 16:15
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2 comentários:
De Anónimo a 13 de Março de 2004 às 00:51
Se quiseres aquilo de passar o codigo estas a vontade!!!rafapaim
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(mailto:filosofiabarata@sapo.pt)


De Anónimo a 12 de Março de 2004 às 19:02
Qualquer dia acabamos a pensar que a Maria era assim como a tua namorada!!! Linda de morrer!!! Uma amiga dessas da sempre um jeitao... que boa menina e percebe dessas coisas de terapias alternativas!rafapaim
(http://filosofiabarata.blogs.sapo.pt)
(mailto:filosofiabarata@sapo.pt)


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