Quinta-feira, 6 de Outubro de 2005

A minha namorada - 3º capítulo

(continuação)

Tudo me parecia tão estranho como uma sopa em pó da Knorr. Relembrava os meus últimos momentos e da última coisa que me recordava era ter embatido com o Aston Martin num cartaz da Martini.
Olho-me mais uma vez no espelho François Ghost da Kartell e não vejo qualquer sinal de acidente que os meus pensos Johnson & Johnson que estavam guardados na cómoda da Interforma para ocasiões como esta.

Apesar de tudo não tinha a certeza de passar de um sonho, estes últimos dias pareciam não ter acontecido mas tinha a certeza que algo de estranho se tinha passado.
Tento abstrair-me e visto o meu equipamento Reebok de jogging e saio para uma corrida sempre agarrado ao meu iPod da Apple. A música passava ligeira nos meus ouvidos e aos poucos estava pronto para esquecer o assunto quando vejo um embrulho de papel craft endereçado a mim na porta de casa.

Intrigado sentei-me ainda suado nos meus sofás Le Corbusier e olhei para aquele objecto que repousava em cima da mesa preto opaca de Mies van der Rohe.
Respirei fundo e comecei a desatar o cordel. Lá dentro um pequeno gravador Sony TCM 80 V prostava em cima da mesa. Olhei várias vezes para ele tentando descobrir o significado e ao mesmo tempo receoso com o que pudesse ouvir. Por fim pus a rodar a cassete TDK. Uma voz de mulher que não conseguia distiguir falava de uma maneira lenta mas segura.

"Tens duas horas para te pores em Alcântara".
Apenas e somente isto. Duas horas para me pôr em Alcântara? Duas horas a partir de quando? E a que propósito iria eu para Alcântara assim sem mais explicações. Passeei à volta da sala durante uns minutos tentando como por magia fazer desaparecer os horriveis tapetes do João Rolo que me haviam impingido.

Vesti uma roupinha casual do Dirk Bikkembergs e ajeitando-me no meu Mercedes esperando que o portão da Bremet abrisse e a luz do sol entrasse e me desse respostas. Mas nada de especial aconteceu. Dirigi-me sem pressas para Alcântara. Tinha deixado de fumar há já 3 semanas mas todo este enredo fez-me parar numa bomba da Repsol e pedir os meus preferidos Peter Stuyvesant. Souberam-me mal de início, o que já esperava, mas ao fim de umas quantas bafuradas os meus pulmões saltaram de alegria.

Estacionar o carro, aí sim estava um problema. Se deixasse num sítio mais discreto temia que não me encontrassem, se o punha mais à vista corria o risco de ser multado. Arranjei um lugarzinho em frente à loja da Era Alcântara/Restelo e saí do Mercedes.

Não demorou 10 segundo que um velho Datsun 1200 cor de mostarda parasse ao pé de mim. Lá dentro a custo uma mulher esticava-se para poder abrir o vidro e gritar “Vá, vamos… depressa”. A expressão assustou-me. Qual era a pressa? Estaria a ser seguida? Medo de ser autuada? Ou apenas vergonha de ser vista naquele chaço.
Entrei e arrancou a grande velocidade, a bem dizer à velocidade máxima que aquela coisa de 4 velocidades permitia.

Não devia ter mais de 22 anos pois o top da Mango com as letrinhas MNG que sempre pensei que fosse de meningite e as calças de ganga da Cheyenne que com um casaquito da Bershka faziam o conjunto não deixava margem para grandes dúvidas. Era nitidamente uma pessoa sem noção de estilo.

Parámos mais à frente no CCB e embebendo os lábios no baton de cieiro da Labello Azul de 5g enquanto olhava no espelho retrovisor. Eu dava graças a Deus por não ser um daqueles batons com cheiro a morango. Aguardava respostas e ela como que adivinhando riu e recostou-se no banco de napa coçado.

- Se ao menos tivesses ficado com a mala.

- Qual mala? Esta situação já está por-me completamente nervoso. Primeiro estava muito calmamente a jantar aparece uma mulher, deixa ficar a mala, depois outra. Tenho um acidente e não me lembro de nada e agora também você me fala da mala. Que raio tem a porcaria da mala? E já agora quem raio és tu?

- Não sejas ingénuo, sei perfeitamente que estás metido nisto até ao pescoço. Olho para ti e vê-se logo que tens cara de culpado.

- Culpado do quê? A minha única culpa é gostar de comida biológica certificada pela Socert.

- Até quando pensas levar essa mentira. A Vanessa ainda não falou. Mas quando falar o teu nome vai vir ao de cima e será bem pior para ti.

- Quem é a Vanessa? Estás a falar do quê?

- Deixa de ser engraçadinho, temos fotos tuas com ela tiradas com a Nikon DX2 de 12 Megapixels que não mente.

- Temos quem? Quem é que anda a tirar fotos minhas? Olha… se calhar é alguém muito parecido comigo e isto é tudo um equívoco não achas? Vocês que eu não sei quem são procuram a pessoa errada. Eu tenho um rosto comum e devem-me ter confundido, só pode ser isso. vamos parar com isto e rir.

Passa algum tempo a remexer na mala provavelmente da Zara e tira uma fotografia.

- Esta fotografia tirada há quatro dias e impressa na HP Deskjet 5940 diz-me que conheces bem a Vanessa.

Vanessa… a rapariga do Aston Martin.
publicado por gifted_children às 00:26
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2 comentários:
De Anónimo a 13 de Novembro de 2005 às 15:33
Isto ainda vai é pagar dieritos de autor em vez de patrocinio!rafapaim
</a>
(mailto:filosofiabarata@sapo.pt)


De Anónimo a 6 de Outubro de 2005 às 17:13
Onde te foste tu meter???Se me permites, Vanessa não combina com Aston Martin;)!!
Aguardo cenas do próximo capítulo!elisa
(http://silenciofala.blogspot.com)
(mailto:elisaantunes@iol.pt)


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