Quinta-feira, 6 de Maio de 2004

A minha namorada - outra tentativa

Levantei-me como todos os dias o faço, (pondo os pés no chão e mantendo-me o mais direito possível). Faço um esforço enorme para descobrir a porta da casa de banho e arrasto-me pesadamente para dentro da banheira. A porcaria do chuveiro está avariado (nada me corre bem) e tenho que tomar banho no bidé que finjo ser uma banheira de hidromassagem.


É um facto que a minha primeira tentativa de encontrar antigas namoradas não correu pelo melhor, mas como não sou de desistir facilmente depressa me recomponho e penso que tudo correrá melhor da próxima vez. Acho que o que falhou foi o critério da escolha, não cometerei o mesmo erro duas vezes, apesar de ter alturas em que o faço dezenas de vezes, como ver todos os especiais da TVI.


Tenho que escolher alguém para quem eu realmente tenha sido importante, nem que fosse apenas nos dois primeiros meses e veio-me à cabeça uma rapariga por quem me apaixonei perdidamente e que tivemos uns bons tempos de amor intenso antes de ela descobrir que eu não era o Mel Gibson quando me descaí e deixei de ter a minha excelente pronuncia australiana que tanto trabalho me tinha dado a arranjar a ver repetidamente o Crocodile Dundee.


Terminámos porque ela achava que eu não devia vestir as calças e as camisas com os botões para trás o que se tornava um pouco incómodo pois raramente íamos para o mesmo lado, o que era deveras irritante. Mas acho que foram tempos muito bons e tenho a certeza que ela não se importaria de me ver de novo agora que excluo terminantemente tudo o que tenha botões.


Sinto um ardor no estômago quando penso num possível reencontro, ou então foi das tortilhas e enchiladas que comi ao almoço.


Era uma pessoa tão querida que agora que me lembro bem sinto falta daqueles lindos olhinhos verdes, que olhavam para mim docemente como um bebé a pedir colinho (o que aconteceu várias vezes e foi a partir daí que me começaram os meus problemas nas costas).


Desta vez não vou cometer erros, não quero passar por situações embaraçosas, por isso vou esperar escondido dentro do contentor do papelão à porta de casa dela para a ver chegar. Claro que se ela não morar mais naquele sítio posso passar pela experiência de ser reciclado e voltar como papel de embrulho de supermercado. Mas quero pelo menos ver se ela continua gira e se não lhe cresceu barba nem tem tiques estranhos como andar com um saco de plástico enfiado na cabeça a cantar para um peru imaginário.


Obviamente que vou ter de pensar muito bem no meu discurso, em tudo o que lhe vou dizer, principalmente as desculpas que vou lhe vou dar por a ter trocado por uma garrafa de água em Marrocos. É que estava realmente com muita sede.


No fundo passo por isto tudo por ti minha gorda fofa que continuas sem dar notícias e desespero por saber o que andas a fazer, mas ando muito carente e a necessitar de afecto, por isso tenho a certeza de que quando me acabarem todas as hipóteses de ter outras pessoas e não me restar outra alternativa sem seres tu, a nossa relação vai sair fortalecida. Lembrei-me de ti e fiquei triste (já passa… já passou). Ainda te amo. Beijos.

</blockquote>
publicado por gifted_children às 22:29
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1 comentário:
De Anónimo a 9 de Maio de 2004 às 13:19
O primeiro amor sempre acaba.. mas nunca passa!!!rafapaim
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(mailto:filosofiabarata@sapo.pt)


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